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  • Juliana Mariz e Lia Abbud

Como o cansaço impactou a rotina da escritora e roteirista Tati Bernardi após o nascimento de Rita

Atualizado: 6 de Mai de 2019

Tati nos contou do cansaço gerado pela preocupação permanente com a criança, do desgaste de ter sempre de “mandar ou pedir” para que as coisas sejam feitas e de como o companheiro precisa trazer ideias para melhorar o cotidiano familiar.



Desde que Rita nasceu Tati também escreve sobre as facetas da maternidade: amor incondicional versus rotina puxada

Em uma entrevista para a revista Trip em 2015, a escritora e roteirista Tati Bernardi disse que sonhava em ser rica, famosa, respeitada pela USP e mãe.


Desconhecemos o extrato bancário dela e como está sua fama entre os acadêmicos da USP, mas sabemos que ela tem uma legião de fãs (só no instagram são 80 mil seguidores), é respeitada por sua escrita bem humorada e inteligente e, há 15 meses, tornou-se mãe da Rita.


Desde que Rita nasceu, Tati incluiu maternidade como tema de seus textos. Não que ela não tenha falado sobre o assunto antes. Tem artigo seu antológico de 2014 criticando a ideia do parto humanizado e sua veiculação nas redes sociais. Óbvio que o artigo gerou uma gritaria geral. Mas ela segue escrevendo sem papas na língua. O que mudou agora é a perspectiva. Uma perspectiva que a fez cancelar a ida à FLIP do ano passado. Ela mesma justificou-se on line: “Não irei mais participar da Casa Folha na Flip por motivos de me bateu uma angústia doida em me distanciar de neném…”.


Nos artigos pós-Rita, Tati escreve sobre privação de sono, maternidade real, brinquedotecas imundas com a mesma franqueza que sempre falou de outros assuntos, inclusive de sua saúde mental e emocional. Se ela está cansada? Leia a seguir:

Em que área da sua vida o cansaço advindo da maternidade impactou mais? Na produção literária? No relacionamento com seu companheiro?

Tati Bernardi - Desde a gravidez eu comecei a me sentir mais lenta, burrinha, esquecida, exaurida. Isso pra quem escreve é bastante complicado, mas no meu caso foi ainda pior porque eu tinha 500 trabalhos pra entregar. Daí o bebê nasce e é a coisa mais linda e maravilhosa da vida, mas nasce junto uma preocupação surreal. Isso, sim, mostrou ser o maior cansaço que já tive na vida. Estar preocupada com minha filha o tempo todo, o que ela vai comer, as vacinas, se caiu, se dormiu, se fez coco, se bebeu água, se a babá é de confiança, etc. Eu nunca mais me senti sossegada. Essa preocupação constante meu marido não sente e é por isso que eu me sinto sempre tão cansada. Meu marido acorda na madrugada quando minha filha chora. Sei que durmo mais que ele e que não dormir é a pior coisa do mundo, mas, mesmo assim, eu acho que sou muito mais cansada do que ele.


A privação do sono parece ser a "mãe" de todos os cansaços. Mas quando passa essa fase, o cansaço é deslocado. No meu caso, a carga mental de pensar em tudo relacionado ao bebê me estressava. Sente algo semelhante ?

Tati: Como vivo cansada, sinto que produzo menos. O que no meu caso foi bom porque eu atirava pra todo lado. Eu pegava todo freela e mil coisas ao mesmo tempo. Estou mais focada e fazendo meu trabalho melhor. No casamento, tenho muita preguiça de transar. Mas daí eu culpo o próprio casamento e não o meu cansaço (hahaha) !


Há situações em que você se sente invisível, como uma grande executora de tarefas, deixando de olhar pra si própria e para os papéis que desempenha ?

Tati: Minha maior choradeira na terapia é que me sinto invisível o tempo todo porque eu gerencio uma casa e minha casa virou uma pequena empresa. Tenho ajuda de empregada e babá, mas elas, assim como o Pedro, fazem tudo que eu "mando". Estou cansada justamente de mandar e de pedir.


Você conversa com seu companheiro sobre divisão de tarefas como forma de tentar equilibrar a sobrecarga que geralmente recai sobre a mulher?

Tati: Converso o tempo todo e ele é super aberto a melhorar e de fato já melhorou muito. Durante a gravidez e nos primeiros meses da minha filha pensei várias vezes em me separar. Só estou casada ainda porque ele de fato entendeu que não basta me ajudar, tem que trazer ideias do que precisa ser feito numa vida em família.


O cansaço é inimigo da libido?

Tati: Totalmente inimigo, mas a mágoa é mais.

Em uma das colunas que escreveu, você sugeriu que as pessoas se oferecessem para cuidar da criança, enquanto a mãe dorme. Conseguiu contar com essa ajuda?

Tati: Minha sogra e minha mãe passaram boa parte dos primeiros meses da minha filha só me criticando. Um belo dia expulsei as duas daqui. Quem me ajuda mesmo a dormir é a babá e meu marido.


Você agregou novos hábitos na sua rotina para lidar com essa fase pós maternidade? Massagem? Meditação? Encontrar amigas? Ficar em silêncio?

Tati: Eu estou viciada em fisioterapia. Eu estava com enxaqueca todos os dias de tanta dor nas costas, mas a fisioterapia me salva 3 vezes por semana.



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