De que forma a pandemia afeta aspectos de nossa vida, como a carga mental, a produtividade, os relacionamentos e o bem-estar? Começamos a pesquisar e, para fazer jus à nossa missão de "informar para poder lidar",  criamos essa jornada de reflexão. Aproveitem!

Olá! Lia e Juliana por aqui.

 
A carga mental durante a quarentena tomou proporções homéricas. Não tem lista que dê conta: limpar a casa, cozinhar, lavar roupa, cuidar dos filhos e dos parentes, ajudar na educação escolar, brincar, trabalhar remotamente, fazer reuniões... Isso tudo somado às questões emocionais, preocupações financeiras, encucações com a saúde, inquietação com a política. Caos e ordem, rotina e bagunça, choro e riso num balaio bastante pesado de executar e gerenciar.  

Não está fácil e escrever isso é chover no molhado. Está complicado para todas as mulheres e pior ainda para mães solo e mulheres em situação de vulnerabilidade. Mas o lema do Fatigatis é: conhecer para lidar. O que mudou na carga mental durante a reclusão? Como enfrentar essa nova rotina de sobrecarga? Há espaço para mudanças positivas?

Estamos considerando que andamos algumas casas para trás no tabuleiro do combate à sobrecarga feminina. Durante a pandemia, mulheres estão ainda mais sacrificadas. De acordo com dados do IBGE de 2018, as mulheres com uma ocupação profissional dedicavam-se 18,5 horas semanais às tarefas domésticas contra 10,3 horas destinadas aos homens. No cenário atual, podemos adicionar mais tempo a essa equação. 

Nos Estados Unidos uma pesquisa comprovou que a pandemia acarretou 12 horas de trabalho a mais para mães contra 8 para os pais durante a pandemia. O cenário prejudicou também as mulheres acadêmicas. Segundo uma reportagem do site The Lily, homens estão conseguindo apresentar trabalhos acadêmicos 50% a mais do que mulheres – e a matéria tentava discutir os motivos para essa diferença na produtividade. Ora, uma das razões é exatamente a divisão desequilibrada de tarefas no lar.

Por outro lado, a convivência intensa e reclusa dá visibilidade às tarefas antes consideradas invisíveis. A louça acumulada na pia não vai sumir de repente. Se alguém não encomendar ou fizer o bolo para o aniversário virtual ele não vai aparecer pronto na mesa. E isso lembra muito um post que fizemos, simples e curtinho, que replicamos aqui e dizia "que as tarefas invisíveis que fazemos só se tornam visíveis ao olhar dos outros quando deixamos de fazer." Até mesmo as questões emocionais dos filhos estarão expostas. Quem vai se levantar para acolher aquele choro?

Estamos, sim, vivendo um novo paradigma doméstico. E precisamos tentar tirar um saldo positivo disso tudo. Está tudo junto e misturado. Ou melhor, escancarado. As fronteiras entre o "profissional e o privado" ficaram mais frouxas. Quem não acompanhou uma call com criança ao fundo? Ou quem não teve de adiar uma reunião porque o filho teria de usar o computador por causa da aula on line?

Sabe aquela exigência de que no trabalho temos de agir como se não tivéssemos filhos e de que quando chegamos em casa não podemos pensar no trabalho? Essa dimensão não existe mais. "Nossa atual situação aponta desafios fundamentais em relação à ideia de que nossas identidades pessoais e profissionais podem se manter separadas", afirmou Lakshmi Ramarajan, da Harvard Business School, em entrevista ao The New York Times.

Cada dia é um dia. A cada semana surgem novos estudos, pesquisas e fatos para tentarmos entender esse "novo normal". Nós seguiremos acompanhando. O que será essa nova dinâmica doméstica? Como tirarmos proveito? Vamos discutir tudo isso – e vamos amar ouvir o que vocês têm a dizer – no nosso encontro on line lá no final da Jornada.

Por enquanto, um pedido: descanse. Lute pela sua pausa merecida e necessária. É fundamental para aguentarmos o tranco. Para fechar, deixamos nossos links RESPIRO com uma única expectativa: arrancar um sorriso do seu rosto. 

RESPIRO
 
 >>> A arte é serviço essencial. Está sendo o remédio para esses dias difíceis. "Time like this", música do Foo Fighters, ganhou uma edição especial com 23 artistas, entre eles Chris Martin, Dua Lipa e, claro, David Grohl, fundador da banda.  "Em tempos assim você aprende a viver de novo", diz a canção. Arrepiou aqui. E aí?
 
>>> Esse texto da Stéphanie Habrich, diretora executiva do Joca, publicada no site da revista Cláudia, é espelho. Identificação pura.
 
>>> Um pouco antes da pandemia, nos encantamos com o trabalho da ilustradora Alessandra Olanow. Um traço simples com mensagens certeiras. Suspiramos sempre.
 

Até a próxima parada dessa jornada!
Obrigada,
Ju e Lia

Olá! Lia e Juliana por aqui.

Uma rápida passada de olhos por alguns sites de jornais e revistas e o que mais encontramos além do noticiário “quente” relacionado à pandemia são duas categorias de reportagens: as que trazem sugestões para você melhorar as condições do seu home office e “turbinar” sua produtividade e as que falam sobre como é importante cuidarmos da nossa saúde mental, respeitando nossos limites e tentando controlar a ansiedade. Pura contradição, não?

É neste paradoxo que queremos mergulhar neste segundo capítulo da Jornada Fatigatis. Sobre como é difícil, mas necessário, encontrar o equilíbrio que o momento pede. Temos de produzir. Queremos produzir. Mas temos de lembrar que não estamos vivendo em condições normais e que é preciso respeitar os limites que a situação nos impõe.

Não dá pra negar que sentimentos como angústia, ansiedade, preocupação e medo nos rondam – e cada um desses sentimentos têm uma função, como explica este texto aqui.  Medo do contágio, de adoecer, de não conseguir cuidar da família, de ficarmos sem nossas fontes de renda, de perder entes queridos. Tristeza e preocupação ao acompanhar o noticiário. Angústia em não saber quais e como serão os próximos capítulos.

O momento é de total vulnerabilidade: afinal, estamos falando em milhares de mortes por dia em todo o mundo e de centenas de mortes por dia aqui no nosso país. O vírus está ganhando rosto para muitas de nós, com casos conhecidos chegando cada vez mais perto.

Por tudo isso, inevitavelmente nosso emocional fica abalado. Qual o impacto no nosso dia a dia? Redução de concentração, criatividade, produtividade e eficiência, apenas para citar alguns. O tempo de realização e entrega das nossas tarefas é outro, imensamente maior.

Claro que não somos tão Polianas a ponto de achar que as cobranças não deveriam existir nesta fase. A roda tem de continuar girando, afinal. Mas, como diriam nossas avós, “devagar com andor”. Metas e cobranças, tanto dos outros conosco quanto da gente com a gente mesmo, precisam passar por uma recalibragem em respeito à saúde mental de toda a sociedade. Precisamos despertar um movimento de mais compaixão e autocompaixão.

Gabriela Brasil, idealizadora do programa “Laboratório de Produtividade”, lembra que “a produtividade se torna tóxica quando nos leva ao modo de sobrevivência e alerta constantes, com stress e até mesmo pânico”. Ela ressalta que a quarentena não é uma realidade típica de home office – nossas casas também estão sendo escola, playground, lounge. “É necessário ter uma produtividade compassiva, levando em conta a particularidade do momento.”

Chris Bailey, escritor e consultor de produtividade, segue linha parecida em suas análises. "Já é difícil ser produtivo nas melhores condições, ainda mais durante uma crise global. Nós estamos em casa porque precisamos estar em casa e temos menos foco porque estamos passando por muita coisa."

Idem para o jornalista Nick Martin que, em seu artigo no New Republic, afirma que a procura pela produtividade é consequência da ideia embutida na sociedade de que qualquer momento não aproveitado para criar uma oportunidade de lucro ou de avanço pessoal é um momento desperdiçado. “Agora, com mais tempo em casa, a ideia do desperdício pesa cada vez mais.” Mas não, não temos de enxergar como desperdício de tempo, e sim como espaços de respiro para nos permitirmos vivenciar e conduzir cada emoção da melhor forma possível.

Falamos em espaço de respiro e você quase parou de ler esse texto, não é? Sim, sabemos que está especialmente puxado para as mulheres. Esse texto publicado no site da Exame apresenta resultados de um estudo realizado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro que revela que as mulheres são mais propensas a sofrer com ansiedade e depressão durante a epidemia, em especial as que, neste cenário, seguem conjugando seus trabalhos de fora do lar (seja na versão home office, seja presencialmente) com as tarefas domésticas e cuidados com filhos.

É certo que nenhuma dessas categorias de afazeres vai repentinamente desaparecer. A grande questão é como lidar com todos esses “pratinhos” que estamos tentando equilibrar nesta fase inédita que vivemos. É justamente este o mote do episódio #61 do podcast Autoconsciente, de Regina Gianetti, que nos traz um lembrete tão prosaico, mas tão valioso: não exijamos tanto de nós mesmas.

Nas duas primeiras semanas da quarentena, ganhou corpo um movimento cheio de boas intenções, mas que para muita gente pode ter despertado um resultado negativo e um gatilho para a ansiedade e para a auto-cobrança: a divulgação em massa nas redes sociais e grupos de WhatsApp de centenas de atividades que poderíamos fazer durante o isolamento social para ocupar o tal do “tempo livre”.

Mas que tempo livre é este?

“Acho que não estou sendo eficiente na administração do tempo, porque não consigo... (preencha como quiser: criar uma série de brincadeiras maravilhosas com meus filhos, testar receitas que venho anotando no caderno há anos, fazer todos os treinos incríveis e sessões de meditação que estão sendo disponibilizado gratuitamente nas redes, usufruir a oferta de cursos online gratuitos que me farão uma profissional mais completa e competitiva quando “tudo voltar ao normal”, maratonar séries, acompanhar lives, assistir musicais da Broadway). Conta pra gente: você também não se fez esse questionamento?

Então vamos parar, colocar todas essas questões em perspectiva e lembrar do mantra da quarentena: “façamos o que nos for possível fazer, e tudo bem”. É disso que trata este texto da revista Vida Simples: “Não seja produtivo nesta quarentena”.

Para nós, a melhor frase do texto é essa aqui: Não crie a expectativa do desempenho. Diogo Rodriguez, o autor, comenta: "Vamos colocar as coisas no seu devido lugar: a quarentena não deve ser produtiva. É uma medida extrema para tentar frear um vírus mortal. Se alguns conseguem aproveitar o tempo livre estudando, fazendo ioga, escrevendo, pintando, criando um blog, ótimo! O problema é criar, mais uma vez, a expectativa do desempenho".

Aisha Ahmad, professora-assistente de Ciências Políticas na Universidade de Toronto, no Canadá, já viveu sob condições de guerra, violência e pobreza. Ela escreveu um dos artigos mais compartilhados nas últimas semanas nas redes. A pedido dos colegas acadêmicos que queriam suas dicas sobre como manter o ritmo de produção acadêmica durante este período ímpar, redigiu seus conselhos no texto “Por que você deveria ignorar toda a pressão para ser produtivo agora”. Se você ainda não leu, please, faça isso, clicando aqui nesta versão já traduzida para o português.

Para ela, “nosso foco deve se voltar prioritariamente para nossa segurança física e mental”; “precisamos abandonar o performativo e abraçar o autêntico” e “trabalhar para estabelecer serenidade, produtividade e bem-estar sob condições prolongadas de desastre”.

Nossa sugestão final? Menos perfeição, mais compaixão. Não conhecemos o que estamos vivendo e nem temos controle sobre os próximos capítulos. Mas temos, sim, como cuidar com mais atenção da nossa saúde mental. Fica o convite!



RESPIRO
 
 >>> Alguns artistas parecem adivinhar nossos pensamentos e sentimentos, como, por exemplo, Mariana Luz, que tem disponibilizado gratuitamente várias de suas artes para quem quiser baixar e colorir. Já a jornalista e bordadeira Taynara Pretto tem compartilhado lindas reflexões em formato de frases que tem bordado em pequenos bastidores. O recifense Ráian Andrade criou o Tarot da Quarentena, com ilustrações que refletem situações e sensações que estamos vivenciando neste momento.
 
>>> Já conferiram o programa Some Good News, do ator John Krasinski? Criado em março com a intenção de trazer notícias positivas de forma leve e divertida durante o período de isolamento social, ele reúne histórias reais de empatia, carinho e solidariedade e conta com a presença virtual de convidados ilustres que conversam com seu público por meio de videoconferências, como já aconteceu com Oprah, Malala e Steven Spielberg. Ele organizou, por exemplo, uma festa de formatura para os alunos que concluíram o ensino médio e ficaram sem a comemoração, com a participação de DJs e artistas como Billie Eilish e Jonas Brothers. As famílias se arrumaram, produziram a sala de casa com luzes e enfeites para dançar e comemorar!

>>> Nossos corações foram fisgados desde o título deste artigo: "Use as mãos para acessar o seu coração". Não vamos dar spoiler, porque queremos que você vá lá conferir o conteúdo, mas vamos antecipar a reflexão da autora: estes são tempos de se auto presentear com ações que trazem calma e alimentam a alma.

Até a próxima parada dessa jornada!


Obrigada,
Ju e Lia

Oiê, Lia e Juliana por aqui,

Estamos confinados em uma casa transformada. Nela acontece a escola, o trabalho, o lazer, o entretenimento, a atividade física, o descanso. Estabelecemos rotinas, organizamos a agenda de aulas, marcamos as reuniões, limpamos o chão. Mas entre um cômodo e outro circulam nossos afetos. 

A distância compulsória colocou lente de aumento no convívio diário. A crise pela qual passamos aponta um refletor bastante forte nas nossas relações: com o companheiro, com os filhos, com a família, com nós mesmas. 

Lidar com tudo isso é uma parte bem densa da carga mental. Aqui, na terceira semana da Jornada, não temos qualquer pretensão de dar conselhos sentimentais, mas queremos sugerir leituras e reflexões para que você siga minimamente firme nessa placa tectônica cambaleante sob nossos pés.

Já falamos no primeiro conteúdo da jornada o quanto a sobrecarga feminina aumentou neste período em que todos “voltamos para casa”. Fazer a divisão de tarefas é gatilho fácil para uma crise conjugal. Na segunda semana da Jornada enfocamos numa produtividade mais compassiva, mas sabemos o quanto a pressão do chefe pode nos causar mal-estar. A briga entre irmãos pode azedar o dia. E a mãe que está dividindo os cuidados com o ex-companheiro também têm desafios desagradáveis, sem falar na mãe solo, que agora não pode mais contar nem como sua rede de apoio presencial. 

Sabemos da complexidade de cada laço interpessoal da nossa vida. Rejeitamos a ideia de que sempre estaremos bem ou que sempre temos de parecer bem. Reclamar é preciso quando necessário. Mas, isso posto, vamos agora ver o copo cheio. Queremos focalizar na oportunidade de estarmos convivendo para, justamente, ressignificar a relação, fortalecer os laços, amadurecer como grupo.

Um desafio para as relações de convivência no confinamento é buscar a individualidade, calibrar as expectativas e entender que os outros estão vivendo seu próprio caos particular. Não dá para supor o que o outro está pensando ou sentindo. Está com dúvida? Não especule. Converse. A chave é o diálogo. Sobre esse assunto vale ouvir o episódio “Amor em tempos de quarentena” do podcast “Bom dia, Obvious”, com o psicanalista Lucas Liedke.
 
A permanência em casa é um convite para entabularmos conversas mais significativas. Em dois meses de confinamento, temos muitas tarefas, sim, mas menos deslocamentos. Estamos sobrecarregados, sim, mas mais presentes. O papo com o filho que começou na mesa do almoço pode seguir quando vocês tomam aqueles cinco minutos de sol no começo da tarde. E, mais do que falar, o que você pode fazer é apenas escutar. Quer saber como? Leia esse texto do Portal Lunetas

Podíamos passar muito tempo com marido e filhos anteriormente, mas a intensidade da convivência atual traz novidades em seus comportamentos, reações, humores. Já perceberam? Para o bem e para o mal nos surpreendemos e, pode apostar, estamos causando surpresas também. Vivemos quase um reality show de dilemas e transformações alheios, mas, dessa vez, não tem um compromisso que nos ajuda a espairecer ou coloca questões em suspenso. É uma convivência sem ir e vir, sem escapatória. Estamos mergulhados na essência do núcleo familiar e teremos de, aos poucos, lidar com o rescaldo de tudo o que submergir.  
 
O que rege nosso convívio?
 
Ao nos isolar, sentimos falta do outro. Mas qual outro? Com quem eu me relaciono? Com quem eu quero me relacionar? Conversamos com Claudia Taddei, consultora de bem-estar, e ela nos alertou: “Estamos estabelecendo conversas com pessoas que escolhemos, não que cruzamos por aí ou somos obrigadas a conviver. São pessoas que a gente opta por conversar e isso nos ajuda a perceber que tipo de relação a gente quer ter na nossa vida, quem nos faz bem e quem não faz. Estamos podendo rever o que rege o nosso convívio”.

Mas como regar nossas relações com amigos ou família sem poder abraçar, dividir a macarronada de domingo, brindar o aniversário com a cervejinha? Somos seres sociáveis e tivemos de nos adaptar à convivência virtual. De repente, fomos obrigados a aprender a mexer em todos os aplicativos e tirar o ranço que poderíamos ter de cantar parabéns pelo computador. 

A verdade é que a tecnologia está nos mostrando sua faceta calorosa: os encontros virtuais entre amigos são realizados com a intenção genuína do afeto. Estamos com alguém por vontade, não por obrigação. Isso é fortalecimento da rede emocional, tão essencial nesse momento. E, quando pudermos novamente nos reunir, daremos atenção ao que realmente importa: o outro.

Pryia Parker, autora do livro "A arte do Encontro", escrito em 2018, já tinha nos alertado.  Estávamos criando eventos e reuniões -- de trabalho, entretenimento ou familiar -- prestando mais atenção nas "coisas' do que nas pessoas. Ela critica o jeito "Martha Stewart" de receber: um checklist cheio de itens mais decorativos e embelezadores que não pensava na conexão real entre os participantes. A pandemia nos obriga a refletir sobre isso. Recentemente, Pryia falou em um Ted Talk virtual, no qual ela falou de dentro de seu carro. :)  Vale conferir.

A pandemia traz ainda o inevitável encontro com nós mesmas. Você pode até reparar na sobrancelha por fazer ou nos cabelos brancos aumentando em cada zoom, facetime ou live que faz, mas isso é apenas uma simbologia de um mergulho bem mais profundo, um local escurinho, que guarda sua sombra mas também muita luz. Aproveite.


RESPIRO 
Uma seleção de ideias para você suspirar
 
 >>> A felicidade é uma emergência, disse o humorista Gregório Duvivier. Aperta o botão do play que queremos levar felicidade para você em forma de música. Algumas playlists para você curtir no confinamento: “Pra levantar o astral”, do Don’t touch my moleskine” e “Stay home delicinha”, da Priscila Josefick, do @mamahoodstore

 
>>> Não é para passar pano na situação grave que estamos vivendo, mas pílulas de positividade são analgésicos em meio à pandemia. Stay Sane, Stay Safe é uma plataforma de pôsters sobre a pandemia criado pelos holandeses Max Lennarts e Menno de Bruijin. Qualquer designer pode submeter seu trabalho. Único pré-requisito é propor uma mensagem positiva.


>>> Quer um desafio ainda maior do que se embrenhar pelos ensinamentos da Rita Lobo? O canal do You Tube “English Heritage” ensina técnicas vitorianas de culinária em vídeos que te levam direto para o século XIX. Arrisca?


Até a próxima parada dessa jornada!
Obrigada,
Ju e Lia

Oiê, Lia e Juliana por aqui,

Não há como negar: a tecnologia tem sido grande facilitadora para que as coisas “aconteçam” nesta quarentena! Nós que sempre apontamos o lado nefasto do uso dos meios digitais tivemos de nos render e olhar para tudo de outra forma. De repente, desde que a quarentena começou, foi uma corrida para nos adaptarmos aos dispositivos e começarmos uma nova relação com a tal TI.

Num primeiro momento, de imediato, podemos listar uma série de benefícios funcionais da tecnologia. Ela é facilitadora do estudo e do trabalho, por exemplo. É com ela que marcas têm conseguido manter o faturamento e sobreviver. É assim que os consumidores estão fazendo supermercado e pedindo comida; que pacientes, médicos e psicólogos têm conseguido seguir com consultas e atendimentos virtuais.

Mas nosso foco neste episódio da Jornada Fatigatis é sobre o “lado B” da tecnologia. Entendemos que ela nos traz benefícios muito além do aplicativo do supermercado. Ela tem hoje um papel relacional e emocional ao apoiar nossas demandas, reduzir a sobrecarga, aliviar o estresse, nos aproximar das pessoas, aquecer nosso coração.

Sim, sim, existe uma mudança de paradigma em um curtíssimo espaço de tempo: enquanto pesquisas e reportagens de dois anos atrás diziam que a tecnologia estava “criando uma multidão de solitários, cada um no seu próprio mundo virtual, sem interação”, o que vemos hoje é o uso da tecnologia para otimizar o tempo, promover interação e facilitar afetos, oferecendo, por exemplo, o “olho no olho” que tanto nos faz falta neste período.

“Estamos buscando novas formas de estar junto (...). Precisamos de uma conexão de outra ordem, de preferência que pontue nossas singularidades em meio a tantas telas”, aponta este texto do site Hysteria.

Singularidade, inclusão, escolhas

Neste novo cenário, a tecnologia funciona como ponte: nos apresenta, por exemplo, a possibilidade de nos conectarmos a pessoas, eventos ou experiências antes inacessíveis. Por exemplo, conhecendo acervos de museus do mundo todo. Assistindo a concertos ou musicais que não estavam na programação da nossa cidade ou cujos valores eram proibitivos. Participando de cursos ou palestras da nossa área de atuação que nunca antes havíamos cogitado. 

Para nós, mulheres-mães, que vemos escapar de nossas agendas aquele espaço para nos dedicar a nós mesmas por falta de tempo, dinheiro ou por não nos colocarmos como prioridade, temos isso mais perto de nós agora. Hora de fazer acontecer?

Aproximando gerações


Esse texto da Vida Simples aponta que a transformação digital sobre a qual estamos falando não tem a ver com substituição de pessoas por máquinas ou com a transferência de tudo o que a gente faz no meio físico para o meio digital. “É sobre pessoas. Gente que descobre a necessidade de ser fluente numa nova língua. Pense: qual é seu objetivo ao aprender uma nova língua? Não é apenas saber falar. Sua necessidade é alcançar o outro, se fazer entender e afetar, na maior intensidade que carrega essa palavra (...). Ser digitalmente fluente é conseguir navegar. Fazer fluir mensagens, nutrir relações e afetar”.

O afeto opera milagres. Pessoas que antes não estavam tão abertas, disponíveis ou interessadas pela tecnologia acabaram se rendendo. Se você pensou na sua mãe, pai ou avó, é isso mesmo! A tecnologia, nesse momento, é conexão. E, para nós, um alívio necessário da carga mental e emocional que sentimos também por causa dos cuidados com os parentes mais velhos.

Logo após o anúncio do confinamento, começaram os encontros pelo zoom, os aniversários virtuais estejam os convidados onde estiverem, uma inclusão que não ocorreria caso essas mesmas festas acontecessem presencialmente. Já lemos muitos comentários sobre quão especiais têm sido essas comemorações. Por que será? Será a percepção de que há uma intencionalidade mais forte de “estar presente”? Uma conexão mais singela?

Tecnologia como sinônimo de afeto e conexão está nos deixando inventivos para além do parabéns virtual. Dia desses uma seguidora nos contou o que tem feito para afagar o coração dos pais que moram na Alemanha. Com a passagem em mãos, viu os planos mudarem quando a pandemia começou e trouxe consigo o fechamento de fronteiras. Então ela e seus filhos (3, 10 e 13 anos) decidiram enviar regularmente presentinhos de surpresa para os avós, como DVDs de séries e filmes favoritos e quitutes comprados em marketplaces locais (de lá!).

Um outro neto decidiu apresentar seus truques de mágica para a família. Já promoveu uma sessão para os avós e outra para os tios e primos. São iniciativas que, ainda que por um curto espaço de tempo, amenizam o estresse e a preocupação do dia a dia durante a pandemia. Tem gente gravando playlists para seus queridos, outros enviando cartões virtuais. Formas diferentes, objetivo semelhante.

Um avô, morrendo de saudades do convívio com os netos e ciente da sobrecarga da filha, fez a seguinte proposta: seria ele o responsável pelo rendimento escolar das crianças durante a quarentena. Checaria diariamente, por telefone, tablet ou outra via, se eles precisavam de mais explicações, se tinham estudado e feito as lições de casa. Além de ser a maneira de manter o contato diário com os netos, falando e vendo seus rostos, foi também a forma que ele encontrou de ajudar a reduzir as tarefas e o cansaço da filha.

Distanciamento social, não emocional


Tivemos uma prova e tanto durante a pandemia: passamos pelo Dia das Mães, data que é puro encontro familiar. Mas não faltaram iniciativas de aproximação para que o distanciamento social não virasse sinônimo de isolamento emocional. Foi pensando nas dores que o Dia das Mães atípico deste ano poderia trazer para muitas mulheres que a Mais Vívida, uma empresa que trabalha para reduzir o isolamento social do idoso por meio de tecnologias, criou uma ação voluntária especificamente para a data: incentivou as pessoas a inscreverem mulheres que passariam a data isoladas e arrebanhou voluntários a entrar em contato com elas. Foi uma ação emocionante para todos es envolvidos

“A tecnologia de fato tem aproximado. Os idosos se sentem sozinhos porque todo mundo que está à sua volta está em um mundo ao qual eles não pertencem, o digital. Mas a situação está mudando: ainda existe resistência, porque eles entendem que não são ferramentas feitas para eles e têm medo de errar. E é aí que a gente entra, para ajudá-los a perder o medo e buscarem se integrar”, explica Lilian Glaisse, uma das sócias da Mais Vívida.

Dia desses, um idoso pediu ajuda para aprender a acessar o banco virtual e operar o zoom. É que os encontros semanais com seu grupo de amigos, que aconteciam no boteco, migraram para a plataforma. Ele queria participar, mas sentia vergonha de pedir ajuda. Pediu e agora frequenta o happy hour virtual.

Trouxemos vários exemplos positivos, mas isso não significa que agora advogamos pelo “zoom forever”. Longe disso. Seguimos críticas em relação ao uso excessivo da tecnologia, especialmente das redes sociais. Não podemos negar que a pandemia trouxe também a tal da infodemia, essa epidemia de informações falsas que circulam em quantidade e velocidade impressionantes e que  gera, além de muita confusão e desentendimento, impactos negativos para a nossa saúde, como ansiedade, angústia e depressão, conforme explica esse texto do Estadão.

Nada substitui o abraço bem dado, o olho no olho, um beijo estalado na bochecha. E sentimos saudades disso. Muitas! Mas o futuro é absolutamente incerto e temos de fazer o exercício de morar no agora, um dia de cada vez. O agora pede que a gente busque meios de reduzir as distâncias e a solidão, que a gente amplie os afetos e os cuidados. Hoje, nossa ferramenta é a tecnologia e só nos resta finalizar assim: um enorme abraço virtual para você!

RESPIRO 
Uma seleção de ideias para você suspirar
 
 >>>  A gente ama ilustrações e isso você já deve ter notado pelos nossos posts e stories, né? Nessa pandemia, temos descoberto algumas novas preciosidades. Um exemplo é Laura Athayde e seu post "Pequeno Dicionário de Ressignificados da Quarentena". Outro é a belga Thais Vanderheyden, que ilustra sua rotina na quarentena em casa com marido e quatro filhos.

 
>>> Este ano, o solstício de verão de Stonehenge, na Inglaterra, será transmitido para o mundo inteiro ao vivo pela primeira vez na história. A "celebração" será entre o crepúsculo do dia 20 de junho, às 17h30 no horário brasileiro, e a aurora do dia seguinte -- mais ou menos 1h no nosso horário. Todos os anos, milhares de pessoas voam até lá para acompanhar o fênomeno. Isso porque o eixo principal do monumento é alinhado de acordo com o eixo do solstício. Isso vai ser lindo, já anota na agenda!

>>> Vale a pena ler a carta escrita publicada no perfil Mãe fora da caixa intitulada "Emoções na quarentena". 

Até a próxima parada dessa jornada!
Obrigada,
Ju e Lia

Oiê, Lia e Juliana por aqui,

Como falar de leveza em meio à essa crise tão grave que estamos passando? Como pensar em suavidade cotidiana se há tantas mortes ocorrendo? Como escrever para sermos leves se a preocupação ronda nossa existência? Com esses questionamentos em mente embarcamos na nossa quinta etapa da Jornada. Em tempos de pandemia, até mesmo a ideia de ser mais leve tomou uma outra dimensão.

Incentivar a leveza no confinamento é, para nós, um gesto de autocuidado. Ao deliberadamente preservar a sua existência, você abre espaço para a leveza e para a serenidade. É com elas que conseguimos tomar as decisões mais acertadas, escolher as palavras mais gentis, optar pelas corretas atitudes do cotidiano. E o cenário atual é propenso a impulsos, palavras mal ditas, incertezas.

Leveza, para nós, não é alienação. Tampouco frivolidade. É, diante do privilégio de ter comida na geladeira e cobertor na cama, optar por deixar o ambiente mais ameno e saber que essa atitude pode virar uma cadeia de boas intenções. Como um efeito dominó: se eu me sinto menos pesada, eu transmito menos peso, amargor, tristeza.

Que a leveza nos ajude a moldar nossa resiliência. Que a gente a encontre em uma observação curiosa dos nossos filhos, no som das maritacas lá fora, na leitura de um livro gostoso. É com ela que vamos levantar da cama todos os dias sabendo que as notícias ainda serão ruins, mas que temos de seguir. É ela que vai nos despertar a empatia, aquela que não quer ser cúmplice da desigualdade nem da injustiça. Leveza, para nós, é esperança. E, como diz Djamila Ribeiro nesse texto, “também é preciso falar de esperança”.

Leveza está na pausa

A leveza te encontra no descanso, no parar. E isso tem de acontecer hoje. Não amanhã, nem depois. O confinamento nos convida a uma desaceleração forçada em termos de mobilidade, mas os afazeres continuam em velocidade máxima. Se estava difícil encontrar momentos de descanso antes, se esforce para encontrá-lo agora. Aproveite que todos estão em casa e manifeste esse desejo com a família. E que isso vire um hábito. Que cada um faça da pausa, sua desaceleração pessoal. Esse vídeo da escritora Leila Ferreira rodou a internet e fala exatamente sobre isso.

São nesses momentos de silêncio e encontro com você mesma que insights, reflexões e diálogos internos acontecem, como sugere a psicóloga Taís Masi nesse post aqui. A reclusão coletiva é um grande chamado para embarcarmos no conhecimento de nós mesmas. As portas estão fechadas, não vai dar para fugir. O olhar interno trará revelações, saudades, ausências. E, depois do rescaldo, uma existência mais treinada à leveza. 

Casa é espelho

O confinamento é vivido em cenário que pode te ajudar a transpor essa crise: sua casa. A conexão com ela nunca foi tão intensa. Não somos mais transeuntes em nossa própria morada. O lar virou ninho de fato porque nos acolhe, nos adota, nos abraça. E ela é espelho. “Quando não conseguimos nos ver refletidos em nossas casas, daí é preciso reajustar a imagem para se enxergar melhor”, diz Ana Viana em entrevista aqui para o nosso site. Sócia da Buji, uma empresa de decoração com enfoque no bem-estar emocional, ela defende a organização do lar como forma de nos mantermos mais descansadas.

E é o lar o recanto da leveza. Olhe para os lados: tem uma fresta de sol na janela, uma música tocando, um porta-retrato que relembra uma deliciosa viagem. E tem algo que você pode fazer a todo momento, com consciência: respirar. Respire fundo antes de começar o dia, quando estiver cansada ou no meio da sua oração (tem post nosso sobre isso aqui). A respiração é que vai te centrar. Respirar é hoje a leveza possível.  Boa sorte pra gente.
 


RESPIRO 
Uma seleção de ideias para você suspirar
 
>>> Como a mulher de cada signo lida com a quarentena? Esse post da TPM faz essa comparação com ilustrações de Carol Ito e consultoria da astróloga Mariana Candeias.

>>> Humor também nos deixa mais leves. Essa paródia da música Bad Guy, de Billie Eilish, foi feita pela youtuber Kristina Kuzmic e é uma crítica bem humorada ao nosso stress.

 
>>> Gregório Duvivier e sua família cantando a música “Menina amanhã de manhã”, de Tom Zé, foi um transbordamento de leveza a partir de uma música feita em uma outra fase difícil do nossa país. Inspire-se.

Até a próxima parada dessa jornada!

Obrigada,
Ju e Lia

Olá! Juliana e Lia por aqui!

Este é o sexto e último capítulo da nossa Jornada Fatigatis! E que jornada! Ao mesmo tempo em que a pandemia nos levou a cancelar o evento presencial que realizaríamos em maio, ela também despertou em nós o desejo de nos conectar mais intensamente com você e o interesse em pesquisar e refletir sobre como este capítulo da história tem impactado nossa saúde física e mental.

O canal mais efetivo de comunicação neste momento, claro, era o digital. E lá fomos nós, produzindo e enviando por e-mail as “cartinhas” semanais. Começamos falando sobre como a carga mental feminina ganhou outra proporção, fazendo aumentar ainda mais a sobrecarga e o cansaço materno – uma armadilha ou uma oportunidade de promover mudanças?

Depois, partimos para a discussão sobre a produtividade possível no momento em que uma pandemia acontece “lá fora”. Os dois capítulos seguintes estavam intimamente ligados: relacionamentos e tecnologia como fio condutor de afeto. Na semana passada, nosso foco foi falar sobre a importância de deixar o dia a dia mais leve neste confinamento. E lembrar que esta intenção não é sinônimo de alienação, e sim de (auto)cuidado.

Todos esses aprendizados nos trouxeram ao tema deste último capítulo: caminhos que nos levam ao bem-estar e a lidar melhor com o estresse. Aliás, para "celebrar" o final dessa jornada e conversar sobre os temas abordados, vamos fazer um encontro online pelo Zoom nesta quinta (11/6), das 19h30 às 21h. Se você quiser participar, basta responder esse email manifestando interesse ou nos mandar um Direct pelo Instagram que enviamos o link de acesso, combinado?

Ah, a respiração!

Em 2017, pesquisadores da Universidade de Stanford descobriram um pequeno grupo de neurônios no tronco cerebral que regula o equilíbrio entre respiração e atividade cerebral relacionada à calma e ao estresse. Eles trouxeram a comprovação científica para aquilo que empiricamente já se sabia. Essa informação virou guia essencial para os dias de hoje. Nunca se falou tanto sobre a importância da respiração como forma de nos colocar no momento presente e de acalmar a ansiedade.
 
"A ioga e a meditação são práticas que ajudam a trazer a nossa consciência para a respiração. Esse é o nosso principal antídoto contra o estresse", afirma a fisioterapeuta Fernanda Kawahara nesta matéria da revista Crescer sobre como é importante tentarmos nos desligar do estresse diário por meio da alimentação, de técnicas de relaxamento ou da prática de exercícios e alongamentos.

A bióloga Camila Vorkapi vai além nesta matéria da revista Saúde: “A meditação ajuda a viver no momento presente e a aceitar uma situação onde não há muito o que fazer. Isso sem contar o relaxamento e a menor produção de hormônios ligados ao estresse.”

A reportagem traz orientações simples sobre a inserção da respiração estruturada e da meditação em nossa rotina. A dica principal aqui é a seguinte: não devemos buscar efeitos imediatos, pois trata-se de uma prática que vai sendo aprimorada com o tempo.

“Ao contrário do que se imagina, a mente de quem medita não vira uma tela em branco. A ideia é identificar o pensamento e deixá-lo ir. Ele é como uma nuvem, que se forma no céu e logo é dissipada”, explica Camila. É normal, portanto, ter pensamentos “intrusos” durante as tentativas de meditação. O objetivo da prática é reconhecê-los e tentar lidar da melhor forma.

Aquiaqui aqui você pode conferir exercícios de respiração que podem contribuir na redução da ansiedade.

E se você não consegue ou não pode meditar ou fazer ioga, calma! Não é um problema, porque respirar é algo que podemos fazer a qualquer hora do dia, entre uma reunião e outra, depois de ajudar os filhos em alguma tarefa.

Pausa é necessidade orgânica

Respiração e meditação não são as únicas responsáveis por nos trazer bem-estar. A qualidade do sono e o controle do stress também compõem este cardápio. Uma noite de sono bem dormida faz toda a diferença na nossa disposição física e equilíbrio emocional. Regina Gianetti, especialista em mindfulness, fala sobre o tema no capítulo 17 do seu podcast Autoconsciente, “Nas noites insones”. Ele é seguido de uma meditação no capítulo 18, “Desacelerando a mente para o sono”. Vale ouvir!

Neste período de quarentena, até mesmo quem não acusava problemas para dormir vem relatando dificuldades para adormecer, sono picado e surgimento de pesadelos. Neste caso, vale criar rituais que antecedem o momento de dormir para tentar alcançar um descanso mais reparador. Esta matéria da Marie Claire traz algumas sugestões.

A médica Regina Chamon, do perfil @drasanguebom, nos trouxe muitas informações interessantes sobre os impactos do estresse na nossa vida (confira nosso bate-papo aqui!). O estresse é uma resposta natural do corpo que nos permite sobreviver. Isso mesmo, ele não é O vilão e não precisa ser combatido, apenas compreendido e controlado. Quando estamos diante de qualquer situação que nos tira do conforto, nosso cérebro emite um sinal para o corpo, que imediatamente responde, deixando a mente alerta para resolver a situação (ameaça, desafio). “Queremos ter essa resposta de estresse, mas temos de aprender a usá-la quando ela é útil e a desligá-la quando não precisamos mais, ativando o mecanismo contrário, a resposta de relaxamento, que ativa outra área do cérebro.”

Esta entrevista reforçou ainda mais a nossa crença de que a pausa é uma necessidade orgânica. Não é um luxo nem desperdício de tempo. A pausa é um mecanismo neurológico que contribui na nossa regulação interna. É a forma de ligar a resposta de relaxamento e de desligar a resposta de estresse.

“Quando estamos estressados, ocorre uma mudança na estrutura do nosso cérebro. Algumas áreas, que são vias de alarme, aumentam de tamanho. E outras, que são as responsáveis pela criatividade, planejamento e memória, encolhem. Então, quando estamos cronicamente estressados perdemos produtividade.”

É quando tem início um ciclo vicioso: não produzo como gostaria, então sigo estressado. Estressado, durmo mal. Como durmo mal, perco capacidade de concentração, criatividade, planejamento e foco. Com isso, produzo abaixo do que gostaria. Sigo estressado.... Precisamos buscar um ciclo virtuoso, que conta com momentos de descanso e relaxamento que aumentam nossa capacidade de planejar e executar. Durmo melhor. Produzo como gostaria, fico mais satisfeita. “É uma mudança de paradigma muito grande. É um aprender de novo”, conclui Regina Chamon.

Levanta a mão quem já se sentiu culpada em pausar! A expectativa do desempenho, tão louvada pela sociedade moderna, nos incutiu essa culpa. Bora remar de volta às nossas origens e valorizar essa necessidade primordial do nosso organismo! Está lá, na pirâmide de Maslow, formulada em 1954. As necessidades fisiológicas, como o sono, respiração e alimentação, estão na base da pirâmide. “Se a gente não respeita isso, todas as necessidades que vem depois, como segurança e relacionamento, não se sustentam. As pausas são essenciais para o organismo se restabelecer.”

Para encerrar nossa Jornada, gostaríamos de propor um exercício: pegue uma folha de papel. De um dos lados, anote seus estressores, tudo aquilo que drena sua energia. Do outro, liste o que te recarrega. Analise os dados e tente planejar uma forma de equilibrar a balança. Sabemos que os estressores não podem ser simplesmente eliminados e vários terão de permanecer na lista. Tente perceber como você está lidando com cada um deles e se há outras abordagens possíveis para reduzir o desgaste. Depois, veja quão necessário e possível é para você incluir na rotina mais momentos de pausa, relaxamento e prazer.

O objetivo é manter a balança equilibrada. E a balança, no caso, é você!

Com amor, Lia e Ju!

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RESPIRO 
Uma seleção de ideias para você suspirar
 
>>> Coisa mais linda a série “Amor em Tempos Modernos”, iniciativa da Casa Fiat de Cultura. Nesta semana, para celebrar o amor e o Dia dos Namorados, estão apresentando uma história em quadrinhos por dia no perfil do IG, no feed e também vídeos que estão nos Destaques dos Stories. As tirinhas são da autoria de cinco quadrinistas mulheres.

>>> Pesquisadores do Instituto Ambiental de Princeton, nos EUA, garantem que a jardinagem nos traz índices de bem-estar semelhantes aos alcançados quando saímos para jantar fora ou passear de bicicleta. Estava precisando deste empurrãozinho? Então se joga! Confira dicas para te ajudar a cultivar o hábito, mesmo que em apartamentos e em espaços bem pequenininhos.

 >>> Na última sexta, foi comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Para inspirar as pessoas a proteger a natureza, a revista bioGraphic lançou o concurso Big Picture Natural World Photography. Fotógrafos de 65 países participaram, e as 20 melhores fotos, de acordo com a comissão julgadora, você confere aqui!

Obrigada pela companhia nesta Jornada!

Beijos,
Ju e Lia